peco contra ti deus social
através de minha gargalhada incontida
firo-te com meu desejo de vida
sangro-te o ego com minha paixão imedida
assexuadamente
me apaixono em um instante
incontavelmente.
bebo vinho leio poesia amo boemia…
não calo a boca e isto te põe louca
sociedade tribal
tua veste sacra cravada de ouro
não admite minha nudez espiritual
ou esta liberdade de chorar e rir
de pular do edificil
e voar dentro de mim
tomas como ofença pessoal,
e então acorrenta-me e fere-me
com suas correntes tecidas e torcidas
de intrigas que plantais no coração
de seus fiéis. bem,
eu te maldigo, deus social,
maldigo tua injustiça
teu pré-conceito,
maldigo a mim e ao inferno que me condeno
(e mesmo condenada, não lhe temo)
Quinta-feira, Junho 05, 2008
Sexta-feira, Janeiro 19, 2007
Prato do dia: pizza
Diante do abundante banquete sentam-se os famintos.
Fartar-se da carne inda úmida de sangue e vinagre. Eis a gana dos obsoletos!
A guerra é bem mais violenta do que nossa mera passividade faz crer.
Dia a dia saturamos os sentimentos com a oleosidade pasmacenta de nossa cegueira.
Cuspimos ignorância perante a vida e nossas veias entopem-se das mentiras que os ouvidos acostumaram-se a ouvir.
Estamos entorpecidos pelo consumismo exacerbado:
Consumimos toneladas de placebos para anestesiar a fome, o vazio e a dor. Traçam-se os rótulos, nos frascos o mesmo conteúdo: vazio, camuflado, incerto.
E, no fundo, todos carregamos uma alma suicida dentro da mochila onde deveria haver um pára-quedas.
Então, nos esfacelamos sobre a mesa, nosso corpo dilacerado, inda quente é devorado com desejo enquanto se decide o futuro da Nação.Ao longe, ouvem-se seus arrotos.
Fartar-se da carne inda úmida de sangue e vinagre. Eis a gana dos obsoletos!
A guerra é bem mais violenta do que nossa mera passividade faz crer.
Dia a dia saturamos os sentimentos com a oleosidade pasmacenta de nossa cegueira.
Cuspimos ignorância perante a vida e nossas veias entopem-se das mentiras que os ouvidos acostumaram-se a ouvir.
Estamos entorpecidos pelo consumismo exacerbado:
Consumimos toneladas de placebos para anestesiar a fome, o vazio e a dor. Traçam-se os rótulos, nos frascos o mesmo conteúdo: vazio, camuflado, incerto.
E, no fundo, todos carregamos uma alma suicida dentro da mochila onde deveria haver um pára-quedas.
Então, nos esfacelamos sobre a mesa, nosso corpo dilacerado, inda quente é devorado com desejo enquanto se decide o futuro da Nação.Ao longe, ouvem-se seus arrotos.
Curriculo
Nome: Maria Ângela Piai
e-mail: angelpiai@yahoo.com.br
site: http://angelpiai.blogspot.com/
escolaridade: Ensino Médio em escola Pública
data de nascimento: 20 de agosto de 1976
- Publicação do livro “Infinito Eu, crônicas e poesias”, pela editora EME de Capivari- patrocinado pelo Movimento Capivari Solidário, sob a Presidência de Drº Waldemar Thomazzini. 1998.
- Classificação em terceiro lugar no 1º Concurso de Poesia da CNEC Capivari com a poesia “Homens do Campo”, publicada no livro homônimo ao concurso. 2001
- Classificação em terceiro lugar no 2º Concurso de Poesia da CNEC Capivari com a poesia “Trocadilhos de uma língua Insana”, publicada juntamente com a poesia “Ele homem, ela árvore” selecionada entre as melhores, no livro homônimo ao concurso. 2002
- Classificação em 2º lugar no Concurso de Poesia do Jornal de Poesia do Drº Arnaldo Niskie, tendo como Júri três membros da ABDL/RJ, com a poesia “Maria”. 2004
- Recebe homenagem especial na formatura da 3ª Turma de Letras da FACECAP, entregue pela formanda Camila Giacomini. 2005
- Integrante na Comissão Organizadora do 5º Concurso Regional e 1º Concurso Nacional de Poesia da CNEC Capivari. 2005.
- Classificação em 2º lugar no I Concurso Nacional de Poesia Bernadete Valadez de Rafard, com a poesia “Portão”.2006
- Organização, como Diretora, do 6º Concurso Regional e 2º Concurso Nacional de Poesia da CNEC Capivari.2006 (PORTARIA FACECAP 97/2006)
- Sites que divulgam meu trabalho:
http://angelpiai.blogspot.com/;
http://www.gargantadaserpente.com/;
http://www.revista.agulha.nom.br/poesia.html;
http://gavetadoautor.sites.uol.com.br/
e-mail: angelpiai@yahoo.com.br
site: http://angelpiai.blogspot.com/
escolaridade: Ensino Médio em escola Pública
data de nascimento: 20 de agosto de 1976
- Publicação do livro “Infinito Eu, crônicas e poesias”, pela editora EME de Capivari- patrocinado pelo Movimento Capivari Solidário, sob a Presidência de Drº Waldemar Thomazzini. 1998.
- Classificação em terceiro lugar no 1º Concurso de Poesia da CNEC Capivari com a poesia “Homens do Campo”, publicada no livro homônimo ao concurso. 2001
- Classificação em terceiro lugar no 2º Concurso de Poesia da CNEC Capivari com a poesia “Trocadilhos de uma língua Insana”, publicada juntamente com a poesia “Ele homem, ela árvore” selecionada entre as melhores, no livro homônimo ao concurso. 2002
- Classificação em 2º lugar no Concurso de Poesia do Jornal de Poesia do Drº Arnaldo Niskie, tendo como Júri três membros da ABDL/RJ, com a poesia “Maria”. 2004
- Recebe homenagem especial na formatura da 3ª Turma de Letras da FACECAP, entregue pela formanda Camila Giacomini. 2005
- Integrante na Comissão Organizadora do 5º Concurso Regional e 1º Concurso Nacional de Poesia da CNEC Capivari. 2005.
- Classificação em 2º lugar no I Concurso Nacional de Poesia Bernadete Valadez de Rafard, com a poesia “Portão”.2006
- Organização, como Diretora, do 6º Concurso Regional e 2º Concurso Nacional de Poesia da CNEC Capivari.2006 (PORTARIA FACECAP 97/2006)
- Sites que divulgam meu trabalho:
http://angelpiai.blogspot.com/;
http://www.gargantadaserpente.com/;
http://www.revista.agulha.nom.br/poesia.html;
http://gavetadoautor.sites.uol.com.br/
Sexta-feira, Novembro 03, 2006
Contra a violência
Amanhece.
Corro atrás da hora que sempre esta a me vencer pelo cansaço.
Acordo meus filhos, alimento-os, faço com eles a lição de casa, brigamos um pouco, rimos, vemos alguns desenhos juntos, tomamos banho e saímos. Eu vou para o trabalho, eles para a escola.
Caminhamos de mãos dadas, debaixo do sol escaldante da Cidade dos Poetas.
Conversamos sobre muitas coisas: planos, insatisfações, sonhos...
No trajeto encontramos muitos rostos familiares, trocamos cumprimentos, retribuímos olhares...
Cruzamos também com outras crianças: mochila nas costas, livros nas mãos, uniformes... São crianças, como meus filhos: amadas, cheias de sonhos, seus risos borbulham no ar como bolhas de sabão.
Lembro-me desta fase em minha vida dos segredos, das fofocas, das brincadeiras, dos amigos, das professoras... São momentos marcantes que têm um gosto de saudades que não sai da boca mesmo depois de tantos anos.
Beijo meus filhos no portão, os observo caminhar em direção a sala de aula convictos, seguros de si... Esta cena sempre me emociona: vê-los caminhar em direção de suas vidas...Os meus menininhos! Ah, o coração de uma mãe esta sempre carregado de tantos sentimentos.
Vou trabalhar.
Na conversa entre os amigos me contam de uma tragédia: a criança assassinada na porta da escola aqui na cidade.
Que sentimento de medo nos assola como pais, mães? Que sentimento é esse que nos apavora quando a crueza da violência chega tão perto de nossas crianças?
É medo de percebermos que eles também estão à mercê desta violência, resultado dos séculos de pouco caso com o ser humano e explodindo nas nossas portas.
O medo de percebermos que levamos nossos filhos até certo ponto debaixo de nossos cuidados, mas chega “o portão”, chega o momento em que eles soltam as mãos, nos beijam e seguem seu destino.
Estamos todos assustados, mas o que fazer? Como conseguir reverter este quadro? Mais policia? Mais leis? Mais...Mais...Mais... Nada é o bastante, nunca é suficiente...
Não temos uma educação para todos como é divulgado. A fome não é igual a zero (aliás, esta longe disto) como é proclamado aos sete ventos. Construímos casas cada vez mais fechadas, com mais grades, com muros cada vez mais altos, nos armamos até os dentes...
Para quê? Para que a violência se despeje diante de nós, que ria de nossas artimanhas. Ela ri de nós de maneira escancarada nas páginas dos jornais, na TV, na nossa vizinhança...
Existe um momento na vida em que precisamos parar, refletir. Precisamos fazer determinadas perguntas e ouvir nossas respostas. O que esta errado? O que é preciso para que melhore?
Isso não esta fora de nós, não vai começar fora de nós, isto precisa começar dentro de nós.
Acordo durante a noite e espio meus filhos dormindo... Procuro em meu coração um lugar de paz onde minha alma possa orar por eles e orando por eles descubro a necessidade de orar pelo anjinho morto e por todas as crianças.
Não que eu seja alguém de grande fé, sou apenas uma mãe.
“Não choreis por Mim, chorai por vós e por vossos filhos...”
Com uma lágrima quente, correndo pela minha face apago a luz e tento dormir.
Breve vai amanhecer novamente.
Meus sentimentos em memória de todas as crianças que são vitimas de alguma forma de violência
Corro atrás da hora que sempre esta a me vencer pelo cansaço.
Acordo meus filhos, alimento-os, faço com eles a lição de casa, brigamos um pouco, rimos, vemos alguns desenhos juntos, tomamos banho e saímos. Eu vou para o trabalho, eles para a escola.
Caminhamos de mãos dadas, debaixo do sol escaldante da Cidade dos Poetas.
Conversamos sobre muitas coisas: planos, insatisfações, sonhos...
No trajeto encontramos muitos rostos familiares, trocamos cumprimentos, retribuímos olhares...
Cruzamos também com outras crianças: mochila nas costas, livros nas mãos, uniformes... São crianças, como meus filhos: amadas, cheias de sonhos, seus risos borbulham no ar como bolhas de sabão.
Lembro-me desta fase em minha vida dos segredos, das fofocas, das brincadeiras, dos amigos, das professoras... São momentos marcantes que têm um gosto de saudades que não sai da boca mesmo depois de tantos anos.
Beijo meus filhos no portão, os observo caminhar em direção a sala de aula convictos, seguros de si... Esta cena sempre me emociona: vê-los caminhar em direção de suas vidas...Os meus menininhos! Ah, o coração de uma mãe esta sempre carregado de tantos sentimentos.
Vou trabalhar.
Na conversa entre os amigos me contam de uma tragédia: a criança assassinada na porta da escola aqui na cidade.
Que sentimento de medo nos assola como pais, mães? Que sentimento é esse que nos apavora quando a crueza da violência chega tão perto de nossas crianças?
É medo de percebermos que eles também estão à mercê desta violência, resultado dos séculos de pouco caso com o ser humano e explodindo nas nossas portas.
O medo de percebermos que levamos nossos filhos até certo ponto debaixo de nossos cuidados, mas chega “o portão”, chega o momento em que eles soltam as mãos, nos beijam e seguem seu destino.
Estamos todos assustados, mas o que fazer? Como conseguir reverter este quadro? Mais policia? Mais leis? Mais...Mais...Mais... Nada é o bastante, nunca é suficiente...
Não temos uma educação para todos como é divulgado. A fome não é igual a zero (aliás, esta longe disto) como é proclamado aos sete ventos. Construímos casas cada vez mais fechadas, com mais grades, com muros cada vez mais altos, nos armamos até os dentes...
Para quê? Para que a violência se despeje diante de nós, que ria de nossas artimanhas. Ela ri de nós de maneira escancarada nas páginas dos jornais, na TV, na nossa vizinhança...
Existe um momento na vida em que precisamos parar, refletir. Precisamos fazer determinadas perguntas e ouvir nossas respostas. O que esta errado? O que é preciso para que melhore?
Isso não esta fora de nós, não vai começar fora de nós, isto precisa começar dentro de nós.
Acordo durante a noite e espio meus filhos dormindo... Procuro em meu coração um lugar de paz onde minha alma possa orar por eles e orando por eles descubro a necessidade de orar pelo anjinho morto e por todas as crianças.
Não que eu seja alguém de grande fé, sou apenas uma mãe.
“Não choreis por Mim, chorai por vós e por vossos filhos...”
Com uma lágrima quente, correndo pela minha face apago a luz e tento dormir.
Breve vai amanhecer novamente.
Meus sentimentos em memória de todas as crianças que são vitimas de alguma forma de violência
Quinta-feira, Julho 13, 2006
Vazios
“Noite vazias.Ideais medíocres:
nós as marionetes ocas, carcomidas de cupins.
Que inutilidade é nosso ser!
As cordinhas que nos movem recebem, hipocritamente, o nome de liberdade.
Ninguém é livre!
Somos pássaros estúpidos que mal sabem cantar.
Somos a indecência do que se chama humanidade.
Deveríamos assinar hipocrisia quando escrevêssemos nossos nomes.
Marionetes da sociedade, marionetes do capitalismo...
Grandes mentirosos: somos excremento infértil.
Que segurança temos?
Nossa existência é fina como cristal e cuspimos superioridade pelos cantos espumosos da boca.
Somos nada neste Mundo! Um nada tão vazio que assusta, então preenchemos o nada de futilidades para mostramos “ser alguém”: grande político, grande escritor, grande empresário, grande modelo, grande merda!
Somos alimentos de vermes.
Somos carne podre e mal cheirosa, não importa o guão caro seja o nosso perfume.
Vivemos rindo, na certeza da morte, profetizado a existência de um Paraíso Perdido...
Não tenho mais tempo, também não tenho mais medo.
Só carrego cansaço.
Um cansaço pesado ao tentar compreender o nada, a abstração, a complexidade e, principalmente, o vazio.
Seria estranho morrer, porque acho que não sentiria dor. Creio que seria algo tão simples como abrir um presente de natal. Não sei direito porque tudo parece tão complicado, pois seria tão prazeroso dizer adeus e dormir...”
nós as marionetes ocas, carcomidas de cupins.
Que inutilidade é nosso ser!
As cordinhas que nos movem recebem, hipocritamente, o nome de liberdade.
Ninguém é livre!
Somos pássaros estúpidos que mal sabem cantar.
Somos a indecência do que se chama humanidade.
Deveríamos assinar hipocrisia quando escrevêssemos nossos nomes.
Marionetes da sociedade, marionetes do capitalismo...
Grandes mentirosos: somos excremento infértil.
Que segurança temos?
Nossa existência é fina como cristal e cuspimos superioridade pelos cantos espumosos da boca.
Somos nada neste Mundo! Um nada tão vazio que assusta, então preenchemos o nada de futilidades para mostramos “ser alguém”: grande político, grande escritor, grande empresário, grande modelo, grande merda!
Somos alimentos de vermes.
Somos carne podre e mal cheirosa, não importa o guão caro seja o nosso perfume.
Vivemos rindo, na certeza da morte, profetizado a existência de um Paraíso Perdido...
Não tenho mais tempo, também não tenho mais medo.
Só carrego cansaço.
Um cansaço pesado ao tentar compreender o nada, a abstração, a complexidade e, principalmente, o vazio.
Seria estranho morrer, porque acho que não sentiria dor. Creio que seria algo tão simples como abrir um presente de natal. Não sei direito porque tudo parece tão complicado, pois seria tão prazeroso dizer adeus e dormir...”
Sexta-feira, Junho 30, 2006
MicroCosmo
Microcosmo
Labutas pelas veredas sem as mãos calejar...
E ouves uma corneta, é o tempo a lhe chamar.
Não vives, apenas tecla.O sol, não vês brilhar.
Será tua vida uma tecla que você tem que apertar?
Os olhos quase sem brilho estrelas não vão tocar.
A tela é teu destino. Navegas sem ancorar...
E o mundo vai girando não espera ninguém acordar.
As horas se extinguindo, num delete tudo vai findar.
Tuas raízes perpetraram no submundo da tecnologia
Vendas lhe colocaram, tiraram-lhe as fantasias
Agora és um robô. Não precisas mais de ninguém:
Não sofres decepções, mas carinho virtual faz bem?
Labutas pelas veredas sem as mãos calejar...
E ouves uma corneta, é o tempo a lhe chamar.
Não vives, apenas tecla.O sol, não vês brilhar.
Será tua vida uma tecla que você tem que apertar?
Os olhos quase sem brilho estrelas não vão tocar.
A tela é teu destino. Navegas sem ancorar...
E o mundo vai girando não espera ninguém acordar.
As horas se extinguindo, num delete tudo vai findar.
Tuas raízes perpetraram no submundo da tecnologia
Vendas lhe colocaram, tiraram-lhe as fantasias
Agora és um robô. Não precisas mais de ninguém:
Não sofres decepções, mas carinho virtual faz bem?
Quinta-feira, Maio 11, 2006
Capitalista
DISPERSO-ME
NO SUBMUNDO
DISPOSTO
ENTRE VERMES
ME ENQUADRO
EM GRÁFICOS E
IDEAGRAMAS...
ME FAÇO CONFESSO
DE TODO PECADO
ME TORNO CULPADO
DE TODOS OS CRIMES
"COMEMOS A MAÇÃ"
E POR ELA MASTIGAMOS
E REGURGITAMOS,
UMA ETERNA ÂNSIA
ADORMECIDA
DOS CACOS DO
QUE VOCÊ CHAMARIA DE
CONSCIÊNCIA
ROUBO O AÇUCAR
PARA ESPUMAR O CAFÉ
E BEBO
ATRAVÉS DA FENDA
PARTIDA NA XÍCARA
(É POR ONDE SANGRO)
PATÉTICAMENTE,
SUTURO COM TINTA
AS ABERTAS FERIDAS
DE MEU VENTRE INCHADO...
S
E
N
T
A
D
O
SOU
A
IMAGEM DO
C
A
O
S
NO SUBMUNDO
DISPOSTO
ENTRE VERMES
ME ENQUADRO
EM GRÁFICOS E
IDEAGRAMAS...
ME FAÇO CONFESSO
DE TODO PECADO
ME TORNO CULPADO
DE TODOS OS CRIMES
"COMEMOS A MAÇÃ"
E POR ELA MASTIGAMOS
E REGURGITAMOS,
UMA ETERNA ÂNSIA
ADORMECIDA
DOS CACOS DO
QUE VOCÊ CHAMARIA DE
CONSCIÊNCIA
ROUBO O AÇUCAR
PARA ESPUMAR O CAFÉ
E BEBO
ATRAVÉS DA FENDA
PARTIDA NA XÍCARA
(É POR ONDE SANGRO)
PATÉTICAMENTE,
SUTURO COM TINTA
AS ABERTAS FERIDAS
DE MEU VENTRE INCHADO...
S
E
N
T
A
D
O
SOU
A
IMAGEM DO
C
A
O
S
Sexta-feira, Abril 14, 2006
O FARAÓ E A ESFINGE
MEUS OLHOS SÃO FARÓIS
PERDIDOS NO CAIS
DE UMA ILHA.
NAUFRÁGA É MINHA ALMA
PERDIDA NA AUSÊNCIA DE PAZ
TRAGO RAIOS E TROVÕES
SOU MAREMOTO
TRAGO LAVAS E VULCÕES
SOU TERREMOTO
NEM SEMPRE SORRIO ASSIM,
ÁS VEZES ENGANO ATÉ A MIM...
E ATRAVESSANDO AS ÁGUAS TURVAS
NAS MADRUGADAS INSONES
DESAFIO-TE COMO A PIRÂMIDE:
"DECIFRA-ME OU DEVORO-TE"
DEVORO-TE COM SEDE FELINA,
DESAFIO-TE COMO ULISSES A POSEIDON
A NAVEGAR POR MINHAS CIDADES
MITOLÓGICAS,
A ENFRENTAR CRIATURAS FANTASTICAS
QUE HABITAM MINHA ESSÊNCIA,
DESAFIO-TE COM MINHA SEXUALIDADE UTÓPICA
A UM DUELO DE HONRA...
REAGES COM CORAGEM
ME ENCARAS
NINGUÉM DESVENDOU MEUS ENIGMAS
TODOS ME DESCREVEM DE FORMA OBSOLETA
E TU, TALVEZ, ME COMPREENDA...
POR ISSO, POSSO TE AMAR
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